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Roberto Sallouti, CEO BTG Pactual · site oficial ↗

Lições com Roberto Sallouti

6 h de fala, 55 mil palavras: um livro de 219 páginas

142 palavras por minuto

77% do tempo da conversa é a voz dele

“Banco”, a palavra que ele mais diz

1.201 vezes “a gente”, 943 vezes “eu”

Sobre pensar

1

Entre teimosia e resiliência, a distância é mínima.

No Market Makers, ele contou que, como COO, comprou sistemas gringos pra montar o core bancário e parou tudo com um write-off de 250 milhões. Na digitalização fez o oposto: time e sistemas próprios. Saber a hora de stopar, diz, é mais arte que ciência.

De onde saiu

Porque a a diferença entre teimosia e resiliência é muito pequena, e você precisa saber quando é resiliência e quando é teimosia,

GRANDES LIÇÕES DE NEGÓCIOS, LIDERANÇA E CARREIRA COM ROBERTO SALLOUTI (CEO do BTG Pactual) | #224 · 26:25
Errar não tem problema, ficar insistindo no erro é que é pecado capital.
— Roberto Sallouti, Grandes Líderes II - Roberto Sallouti · 26:26
2

Sofrendo com a posição, ninguém enxerga direito.

Pra ele, a herança mais importante de André Jakurski no Pactual foi respeitar o mercado: foi contra você e você não entende, zera em vez de dobrar a aposta. O banco não entrou posicionado certo em várias crises dos anos 90. Saiu de todas ganhando.

De onde saiu

e na hora que você stopa e limpa a cabeça, você começa a enxergar coisas que você não tava enxergando quando você tava lá sofrendo com a tua posição.

GRANDES LIÇÕES DE NEGÓCIOS, LIDERANÇA E CARREIRA COM ROBERTO SALLOUTI (CEO do BTG Pactual) | #224 · 37:18
foi contra você stopa, entende que você tem alguma coisa errada, porque o importante é você preservar o patrimônio.
— Roberto Sallouti, GRANDES LIÇÕES DE NEGÓCIOS, LIDERANÇA E CARREIRA COM ROBERTO SALLOUTI (CEO do BTG Pactual) | #224 · 36:27
3

Operar mercado é empreender todo dia, com direito a stop.

No estágio de 1992 no Pactual, ele largou o plano de abrir negócio próprio, como os tios e o pai. Viu que trading era montar cenário e ouvir rápido do mercado se errou. Numa empresa, mudar de opinião sai bem mais caro.

De onde saiu

Era você pegar as informações do mercado, interpretar, traçar um cenário na sua cabeça, ver como você ia expressar esse cenário e muito rapidamente o mercado ia te falar se você tava certo ou errado.

Do Back Office a CEO I Roberto Sallouti, BTG Pactual · 7:26
Agora, diferentemente de você ter uma empresa, você pode mudar de opinião rápido.
— Roberto Sallouti, Roberto Sallouti (BTG Pactual): De Estagiário a CEO | Encontros 21 · 14:01
4

Quem cura o complexo de inferioridade passa a achar que voa.

Na PUC-Rio, em 2022, ele contou que venderam o banco ao UBS achando que ser global era melhor. Lá dentro, viram que faziam melhor, e nunca mais olharam pra trás. Hoje o cuidado é o inverso: lembrar que não dá pra fazer tudo.

De onde saiu

A gente achava que, ah, ser um banco global é bem melhor, até que a gente foi num banco global, falou: "Isso aqui é um banco global? Pô, pera aí a gente faz melhor."

Liderança e Gestão no Mercado Financeiro - Roberto Sallouti, CEO BTG Pactual · 48:29
Tanto que hoje a gente tem que tomar cuidado que as vezes a gente acha que a gente voa.
— Roberto Sallouti, Liderança e Gestão no Mercado Financeiro - Roberto Sallouti, CEO BTG Pactual · 48:59
5

CEO não precisa saber tudo; precisa saber perguntar.

Aos universitários da PUC-Rio, em 2022, disse que tudo o que sabe de digitalização aprendeu nos últimos sete anos, sem vergonha de fazer pergunta besta. A regra dele é ter bom senso pra decidir depois que alguém explica. Até SEO precisou de tradução.

De onde saiu

Então não é porque eu sou o CEO sei tudo, não, pelo contrário, não sei nada. Eu tenho bom senso pra quando me explicarem conseguir tomar a decisão mais correta para o banco.

Liderança e Gestão no Mercado Financeiro - Roberto Sallouti, CEO BTG Pactual · 52:53
Não sei de tudo, não sei programar, ainda sinto falta disso, mas pô, pelo menos eu não passo mais vergonha numa conversa
— Roberto Sallouti, Poli Finance Convida: Roberto Sallouti · 14:03

Sobre risco

6

No balanço do banco, só o que faria com o próprio dinheiro.

Perguntado como o BTG analisa risco frente aos grandes bancos de fora, ele não citou modelo. Citou dono: o banco é dos sócios, e sócio não pode ter patrimônio fora da casa. Fica difícil apostar o balanço quando o seu vai junto.

De onde saiu

Então, a gente só faz no balanço do banco o que a gente faz com o nosso dinheiro.

Roberto Sallouti (BTG Pactual): De Estagiário a CEO | Encontros 21 · 31:08
Então a gente tem uma regra no banco: sócio não pode ter nada fora do banco e você tem que investir 100% do seu dinheiro nos produtos do banco.
— Roberto Sallouti, InFinance Insper Apresenta: Roberto Sallouti · 47:30
7

Subir na calçada pode; dar perda total, nunca.

No Insper, em 2014, assumiu o erro nas farmácias: subestimaram a integração das redes compradas e mandaram o cara bom de conta cuidar de logística. Arrumaram, capitalizaram, seguiram. A imagem do carro é do Esteves; a cultura que ela resume é do banco inteiro.

De onde saiu

Você dá um subir na calçada de vez em quando, dá um totozinho com o cinto de segurança, não tem problema, faz parte. O que não pode é bater o carro e dar perda total

InFinance Insper Apresenta: Roberto Sallouti · 50:52
só marca gol quem tá em campo e só perde gol quem tá em campo.
— Roberto Sallouti, InFinance Insper Apresenta: Roberto Sallouti · 50:04
8

Caixa parado em janeiro vira market share em abril.

Entre dezembro de 2019 e março de 2020, o BTG acumulou caixa e capital esperando a crise chegar ao Brasil. Abriu mão de lucro no trimestre e estava líquido quando os clientes precisaram. Tem hora de maximizar retorno e hora de não perder o fôlego.

De onde saiu

Né? Então a gente sacrificou um pouco de rentabilidade janeiro, fevereiro e março, só que aí depois em abril, maio, junho a gente tava lá pra apoiar os nossos clientes,

Poli Finance Convida: Roberto Sallouti · 28:25
você tem hora que é hora de preservar capital e se preparar para turbulências.
— Roberto Sallouti, Poli Finance Convida: Roberto Sallouti · 27:52
9

Quem precisa vender com pressa só consegue vender o que é bom.

Foi assim que os sócios recompraram o Pactual do UBS em 2009. O banco suíço precisava de capital e deu prazo até a Páscoa. Ninguém mais fazia due diligence a tempo; eles fizeram com cinco telefonemas pra quem ainda estava lá dentro.

De onde saiu

eles precisavam levantar mais capital e quando você tem que vender coisa rápida você só pode vender coisa boa.

Do Back Office a CEO I Roberto Sallouti, BTG Pactual · 21:29
Ninguém ia ter condição de fazer due diligence num banco a não ser a gente, que já tava aqui até pouco tempo atrás
— Roberto Sallouti, Do Back Office a CEO I Roberto Sallouti, BTG Pactual · 21:46
10

Acertar sete em dez incertezas já resolve a vida.

Aos alunos da Poli, em 2021, comparou a empresa à própria carreira: incerteza é momento de crescer, desde que você chegue nela em posição de aproveitar. Ninguém acerta todas. Quem opera desde a crise do México de 94 aprende a contar em sequência.

De onde saiu

Cê tem momentos de incerteza aproveita, né, pra você crescer. Cê tem que só tem cer- ter ter certeza que quando chega essa incerteza você tá com a sua empresa e você pessoalmente numa posição de aproveitar.

Poli Finance Convida: Roberto Sallouti · 36:21
Cê nem sempre vai acertar, as vezes cê vai errar. Agora se você tiver uma sequência de 10 eventos desse, você acertar sete, você vai tá muito bem na tua vida e na tua empresa.
— Roberto Sallouti, Poli Finance Convida: Roberto Sallouti · 36:42
11

O limite de risco certo é o que deixa o trader dormir.

Depois de fundamentos e leitura de notícia, ele apontou o fator que acha subestimado na formação de um trader. Por isso gestor de fundo grande tem que pensar em bps, não em reais. O fundo cresce mais rápido que o estômago de quem opera.

De onde saiu

e acho que a terceira coisa, que acho que é uma coisa que às vezes é subestimada, é que todo trader tem o seu o seu threshold emocional.

GRANDES LIÇÕES DE NEGÓCIOS, LIDERANÇA E CARREIRA COM ROBERTO SALLOUTI (CEO do BTG Pactual) | #224 · 38:58
Porque ele começa com o fundo de 100 milhões, na hora que o fundo tem 10 bi, se ele for pensar em nominal ele não vai conseguir dormir à noite.
— Roberto Sallouti, GRANDES LIÇÕES DE NEGÓCIOS, LIDERANÇA E CARREIRA COM ROBERTO SALLOUTI (CEO do BTG Pactual) | #224 · 39:18

Sobre negócio

12

Banco que usa tecnologia, sem fantasia de empresa tech.

Perguntado sobre o que explica o crescimento de 45% ao ano, ele resumiu tudo numa decisão: botar a tecnologia no centro do negócio. Até 2016, a TI só implementava o que já tinha sido decidido. O resto é não esquecer o que a empresa é.

De onde saiu

A gente não não se fantasia de empresa de tecnologia. A gente é um banco que usa tecnologia.

Grandes Líderes II - Roberto Sallouti · 50:54
Se você não tiver tecnologia como core do seu business e você você enxergar tecnologia como um apoio ao business, você não vai dar certo.
— Roberto Sallouti, Poli Finance Convida: Roberto Sallouti · 11:47
13

Produto certo na hora errada também frustra o cliente.

Falando dos fundos imobiliários em Portugal e na Espanha, explicou o critério: lança quando o desejo do cliente casa com o momento de mercado. O cliente não perdoa o que não quer, nem o que quer cedo demais. Ele chama isso de curadoria.

De onde saiu

Não adianta nem você lançar um produto que o seu cliente não quer, e nem o produto que seu cliente quer, mas não tá na hora de mercado, porque ele acaba vai ele vai acabar se frustrando com a tua falta de de de curadoria no no momento,

Roberto Sallouti (BTG Pactual): De Estagiário a CEO | Encontros 21 · 33:44
a gente tá sempre vendo o que que o nosso cliente quer, entendendo as oportunidades de mercado e, na hora que esses dois casam, é que você tem que lançar o produto.
— Roberto Sallouti, Roberto Sallouti (BTG Pactual): De Estagiário a CEO | Encontros 21 · 33:34
14

Por dentro, empresa boa parece estar sempre em crise.

Perguntado na PUC-Rio, em 2022, sobre a pressão de ser CEO, ele disse que no BTG ninguém se dá por satisfeito: o produto tá ruim, falta mandato, falta market share. A cobrança vem justamente de saber que dá pra fazer melhor.

De onde saiu

E se você entra em qualquer reunião aqui do banco, você acha que tá tudo sempre em crise, porque a gente nunca tá satisfeito.

Liderança e Gestão no Mercado Financeiro - Roberto Sallouti, CEO BTG Pactual · 24:35
Porque a gente tá aqui reclamando, cobrando uns aos outros não porque tá ruim, mas porque dá pra fazer melhor,
— Roberto Sallouti, Liderança e Gestão no Mercado Financeiro - Roberto Sallouti, CEO BTG Pactual · 30:42
15

Gerir é andar no fio entre o caos e a burocracia.

Em 2014, ainda COO, foi assim que explicou o cargo a estudantes. Quando a empresa está caótica, empurra a turma pra se organizar; quando a organização começa a engessar, manda bagunçar. A função não tem ponto de chegada, só correção.

De onde saiu

mas o eu vejo o meu trabalho, existe uma linha muito tênue entre o caos e a burocracia.

InFinance Insper Apresenta: Roberto Sallouti · 8:02
E o meu trabalho é ter certeza que a gente tá sempre no meio.
— Roberto Sallouti, InFinance Insper Apresenta: Roberto Sallouti · 8:07
16

Valor tratado como checklist não gera produto nenhum.

Até 2015, o BTG passava nas due diligences de ESG por obrigação. Quando virou mindset, saiu um fundo pra comprar pasto degradado, metade reflorestamento nativo e metade floresta comercial, com crédito de carbono. Depois de lançado, parece óbvio.

De onde saiu

Porque como incorporou isso foi pensou num produto, tem isso aqui, eu tenho relacionamento com a Conservation, tenho essa demanda. Agora que eu falo o produto ele é óbvio, mas ninguém nunca tinha lançado no mundo esse produto, né? Agora é óbvio.

Poli Finance Convida: Roberto Sallouti · 39:11
Só que até 2015 pra ser transparente a gente fazia isso de uma forma burocrática, né? Beleza, we had to deal with it.
— Roberto Sallouti, Poli Finance Convida: Roberto Sallouti · 37:41
17

Quem não conta a própria história deixa outro contar.

O banco era visto como caixa-preta, e uma pesquisa de recrutamento devolveu que eles comiam criancinha no almoço. A agência sugeriu o Exterminador do Futuro como perfil. Ele recusou e fez o primeiro post aos 45, 46 anos.

De onde saiu

Só que era super importante se posicionar e mostrar quem era o banco de verdade, porque senão você cai na mão da narrativa de alguém contar a sua história. E a gente já tinha sofrido muito com isso.

Grandes Líderes II - Roberto Sallouti · 30:40
Porque a gente tem que mostrar quem nós somos sem pasteurização. Sem contratar uma agência.
— Roberto Sallouti, Do Back Office a CEO I Roberto Sallouti, BTG Pactual · 38:05

Sobre gente

18

A patente de quem fala não conta.

Perguntado em 2024 quem ele elimina na hora numa entrevista, respondeu: o arrogante, mais preocupado em estar certo do que em fazer o certo. No banco, argumento entra no debate pra chegar ao melhor pro cliente. A patente de quem fala não conta.

De onde saiu

Então você tem que ir com o seu argumento, pronto pro seu argumento ser não o vencedor, mas a gente acabar fazendo o certo, que é o melhor pro cliente.

Entrevista | Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual · 6:42
o que a gente nunca pode perder é a nossa cultura empreendedora, que é a ditadura do argumento, ganha quem tem argumento não importa a patente,
— Roberto Sallouti, Poli Finance Convida: Roberto Sallouti · 43:53
19

Chefe manda; líder ouve e decide pelo negócio.

No Market Makers, descreveu a carreira em degraus: fazer a função técnica, supervisionar, depois liderar quem supervisiona. É nesse degrau que muita gente trava. O teste que ele propõe é perguntar pra quem você mesmo gostaria de trabalhar.

De onde saiu

Alguém que não quer ouvir o seu argumento ou alguém que debate com você, ouve o que você tem a dizer e toma a que é a melhor decisão pro business e não a que é a melhor decisão pessoal pra ele?

GRANDES LIÇÕES DE NEGÓCIOS, LIDERANÇA E CARREIRA COM ROBERTO SALLOUTI (CEO do BTG Pactual) | #224 · 14:25
É você garantir que a gente jogue em equipe, que a gente faça o certo e não queira estar certo, que a gente lidere e não que a gente mande.
— Roberto Sallouti, Do Back Office a CEO I Roberto Sallouti, BTG Pactual · 26:47
20

Cultura se escreve no bônus, não na parede.

Manter a cultura num banco que se espalha pelo mundo é, diz ele, o que tira o sono. Valor no screensaver ajuda, mas ele gasta praticamente dezembro inteiro em avaliação, bônus e sociedade. É ali que o discurso passa ou não passa no teste.

De onde saiu

Agora, você chega lá e não é nada disso do que você vê, ninguém mais acredita, porque as pessoas acreditam no que elas veem.

InFinance Insper Apresenta: Roberto Sallouti · 55:18
Você tem que pagar bônus meritocraticamente, você tem que promover meritocraticamente, você tem que demitir meritocraticamente.
— Roberto Sallouti, InFinance Insper Apresenta: Roberto Sallouti · 54:37
21

Meritocracia se prova em quem perde participação.

Todo ano, de 2% a 4% das ações do partnership trocam de mão entre os sócios. Todo mundo sabe quem são as estrelas que devem comprar. A decisão difícil, e a que dá credibilidade ao sistema, é fazer os outros venderem.

De onde saiu

Só que essa é a decisão difícil que é mais importante, porque é o sinal que a meritocracia tá funcionando.

InFinance Insper Apresenta: Roberto Sallouti · 15:05
Quem resolveu trabalhar um pouco menos, não tá mais tão motivado, tá querendo se aposentar, vai vendendo ação.
— Roberto Sallouti, InFinance Insper Apresenta: Roberto Sallouti · 14:43
22

Na dúvida, promova: o pé cresce dentro do sapato.

Quando abre vaga e ninguém sabe se o candidato da casa está pronto, o banco aposta nele. Ele mesmo, aos 27, foi mandado ser tesoureiro de um banco recém-comprado na crise. Mais de 90% de quem está lá vive o primeiro e único emprego.

De onde saiu

Deixa ele. O pé o pé cresce dentro do sapato. Né? A gente acredita muito nisso, em desenvolver os nossos talentos.

InFinance Insper Apresenta: Roberto Sallouti · 20:41
Era um sapato três vezes o tamanho do meu pé, né? Eu brinco que, pô, nunca tive tanta dor de barriga e tanto medo na minha vida,
— Roberto Sallouti, Do Back Office a CEO I Roberto Sallouti, BTG Pactual · 13:21
23

Craque ganha jogo; só time de craques vira dinastia.

Pra crescer na sociedade do BTG, performance é pré-requisito, não critério. Quem sobe é quem vive e passa adiante a cultura de time. Usou o PSG campeão como exemplo e foi direto: quem não concorda pode procurar outro lugar.

De onde saiu

Agora só quando você tem um time de craques onde todo mundo joga pro time que você forma uma dinastia,

Roberto Sallouti (BTG Pactual): De Estagiário a CEO | Encontros 21 · 53:05
só que quem cresce na sociedade é quem vive e repassa a cultura.
— Roberto Sallouti, Roberto Sallouti (BTG Pactual): De Estagiário a CEO | Encontros 21 · 52:47

Sobre carreira

24

Só cobra direito quem já fez a planilha.

No banco quase todo mundo começa no back office, batendo boleta e testando sistema. Parece trabalho perdido, mas é ali que se aprende como as coisas funcionam. Anos depois, vira a capacidade de achar o erro na planilha dos outros.

De onde saiu

Eu lembro que várias vezes durante a minha carreira, quando eu parei de fazer a planilha, eu conseguia falar pro cara onde é que tava errado na planilha dele.

InFinance Insper Apresenta: Roberto Sallouti · 3:11
Eu brinco que eu provavelmente era o melhor batedor de boleta que já passou pelo banco, mas batia boleta bem pra caramba.
— Roberto Sallouti, GRANDES LIÇÕES DE NEGÓCIOS, LIDERANÇA E CARREIRA COM ROBERTO SALLOUTI (CEO do BTG Pactual) | #224 · 13:43
25

Mil dólares por mês podem valer mais que setenta mil por ano.

Saindo de Wharton em 94, recusou a Salomon Brothers pelo salário mínimo de iniciante no Pactual. Pouco depois quase saiu por um banco gringo que pagava cinco vezes mais; o pai mandou ficar. Levou anos pra alcançar aquele valor. Depois, não teve comparação.

De onde saiu

'Pô, Esteves, eu tenho aqui uma proposta de 70, Salomon Brothers, legal.' Ele falou: 'Vem cá, você não confia em você?' 'Confio.' 'Você não acha que você vai dar certo?' Falei: 'Pô, eu acho.' 'Então, cê quer ser banqueiro ou quer ser bancário?'

Do Back Office a CEO I Roberto Sallouti, BTG Pactual · 11:28
A foto vai tá sempre errada, foca no filme.
— Roberto Sallouti, Do Back Office a CEO I Roberto Sallouti, BTG Pactual · 2:08
26

Sorte traz a cadeira vazia; competência senta nela.

Em 1998, o chefe e o chefe do chefe saíram do Pactual pra fundar a JGP. Ele e James, ainda traders plenos, em vez de perguntar quem seria contratado, disseram que tocavam a renda fixa. Entregaram e viraram sócios ainda em 98.

De onde saiu

Então, no fundo, eu te diria que, que meu pai sempre falava, né, você tem que ter sorte pra chance aparecer e competência pra aproveitá-la. A chance apareceu, a gente não deixou a cadeira vazia e a gente entregou.

Do Back Office a CEO I Roberto Sallouti, BTG Pactual · 14:49
Não adianta você ser um competente azarado e nem um sortudo incompetente.
— Roberto Sallouti, Roberto Sallouti (BTG Pactual): De Estagiário a CEO | Encontros 21 · 16:42
27

A grande chance nunca parece óbvia quando aparece.

Tesoureiro de um banco comprado na crise, chefe de renda fixa aos 26, chefe global no UBS, COO de um banco montado numa sala emprestada: nada disso era óbvio na hora. Depois do sim de 98, conta que foi pra casa botar fralda. O acerto foi nunca recusar.

De onde saiu

e, sinceramente, quando a a chance aparece ela não é óbvia. Te dá muita insegurança, você fica com frio na barriga, às vezes você pede uma fralda, né? Agora, eu não deixei de aproveitar cada uma dessas chances.

Poli Finance Convida: Roberto Sallouti · 7:25
eu sempre aproveitei as oportunidades. E elas não eram óbvias, depois elas são óbvias.
— Roberto Sallouti, GRANDES LIÇÕES DE NEGÓCIOS, LIDERANÇA E CARREIRA COM ROBERTO SALLOUTI (CEO do BTG Pactual) | #224 · 21:41
28

Trocar o certo pelo novo custou três anos; também ensinou.

Em 2003, trocou a renda fixa local, que batia recorde atrás de recorde, pela internacional, e ficou três anos no zero a zero. Numa entrevista chama de erro de ansiedade. Noutra, de aprendizado que pagou as funções seguintes. As duas versões são dele.

De onde saiu

Agora, cuidado pra você não às vezes abrir mão de algo que você tem que é muito bom por algo que talvez seja mais incerto só porque você tá curioso ou inquieto ou ansioso, né?

Liderança e Gestão no Mercado Financeiro - Roberto Sallouti, CEO BTG Pactual · 13:11
porque saí de uma área que era o maior P&L do banco pra uma área que eu fiquei 3 anos no zero a zero, mas que eu aprendi muito pras minhas funções seguintes.
— Roberto Sallouti, GRANDES LIÇÕES DE NEGÓCIOS, LIDERANÇA E CARREIRA COM ROBERTO SALLOUTI (CEO do BTG Pactual) | #224 · 22:44
29

Em 30 anos, nenhum bônus justo.

No LinkedIn a carreira dele parece uma linha reta: renda fixa, COO, CEO. Por dentro, foi frustração em série e promoção sempre mais lenta do que achava merecer. Às vezes a queixa é certa, às vezes é superestimação. O que não pode é decidir carreira com raiva.

De onde saiu

Ou seja você sempre acha que você tem que tá andando mais do que você tá andando e você conseguir controlar essa sua frustração às vezes a frustração é certa às vezes é só você que tá superestimando o seu trabalho só que você tem que controlar isso

Poli Finance Convida: Roberto Sallouti · 51:45
E eu sempre brinco que em 30 anos eu nunca ganhei um bônus justo. Então cê nunca vai ser reconhecido como cê imagina.
— Roberto Sallouti, Grandes Líderes II - Roberto Sallouti · 22:13

Sobre o que sobra no fim

30

Bolsa não é generosidade; é como se consegue o melhor aluno.

No Inteli, 52% dos alunos têm bolsa que cobre de mensalidade a moradia, computador e inglês. Ele insiste que não é caridade: faculdade de ponta depende dos melhores alunos, e eles estão espalhados pelo país. No segundo processo seletivo, o primeiro colocado veio de escola pública do Amazonas.

De onde saiu

mas porque é só assim, a melhor faculdade você só tem se você tiver os melhores alunos.

Roberto Sallouti (BTG Pactual): De Estagiário a CEO | Encontros 21 · 45:54
E no Brasil o talento é bem distribuído, a oportunidade não é.
— Roberto Sallouti, Roberto Sallouti (BTG Pactual): De Estagiário a CEO | Encontros 21 · 45:58
31

Só reclama do país quem ajuda a consertá-lo.

Quando o censo mostrou o Brasil envelhecendo e os jornais lamentaram, ele propôs outra saída: uma obsessão nacional por produtividade, produzir mais com as mesmas pessoas. Na marra, diz, não funciona. É o mesmo motivo que o fez voltar de Wharton em vez de ficar nos Estados Unidos.

De onde saiu

Agora a gente pode ficar aqui se lamentando ou a gente pode fazer algo a respeito.

Entrevista | Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual · 17:36
sempre achei que a gente pode só pode reclamar de um país se a gente tá ajudando a transformar ele.
— Roberto Sallouti, Do Back Office a CEO I Roberto Sallouti, BTG Pactual · 10:27
32

O gol da escola estressou mais que trinta anos de mercado.

Num evento da Money Report, em 2023, ele disse que o maior legado do colégio foi aprender a lidar com estresse. Era goleiro de futebol de salão no intercolegial. Perdeu, a culpa é tua; ganhou, não fez mais que a obrigação.

De onde saiu

E numa boa, se futebol de salão, se você é goleiro, a você você perde a culpa é tua, se ganha você não fez sua obrigação, então não tem como você dar certo.

Grandes Líderes II - Roberto Sallouti · 6:16
eu acho que em trinta anos de mercado financeiro, eu nunca fiquei tão estressado quanto jogando no gol na escola.
— Roberto Sallouti, Grandes Líderes II - Roberto Sallouti · 6:26
33

O sonho do fundador é deixar de ser necessário.

Alguém um dia fundou Harvard, Stanford e o MIT, e essas escolas viraram da sociedade. É o plano pro Inteli: ancorado por ele, Esteves e sócios, até ficar de pé sem eles. Nos cafés da manhã mensais, diz que nunca pediu uma bolsa e sempre sai com algumas.

De onde saiu

É que o Inteli seja algo que foi fundado por nós e que virou um projeto da sociedade brasileira.

Entrevista | Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual · 24:58
e a gente vai direcionar os nossos recursos pra novos projetos porque o Inteli vai ficar sustentável.
— Roberto Sallouti, Entrevista | Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual · 26:44
34

Feliz com o banco; realizado com a escola.

Perguntado se estava feliz com o banco, ele separou as duas coisas. Uma entrega resultado; a outra, se der certo, sobrevive a ele. Daqui a um século, ninguém lembra de sócio de banco.

De onde saiu

Falei: "Eu tô feliz com o banco, mas eu tô realizado é com o Inteli." Porque daqui a 100 anos ninguém vai lembrar que eu fui sócio do banco, mas tem chance que daqui a 100 anos talvez lembrem que eu fui um dos cofundadores do Inteli.

Grandes Líderes II - Roberto Sallouti · 34:51
Lá em casa, meu, meus filhos, minha esposa me sacaneiam, que é meu quarto filho.
— Roberto Sallouti, GRANDES LIÇÕES DE NEGÓCIOS, LIDERANÇA E CARREIRA COM ROBERTO SALLOUTI (CEO do BTG Pactual) | #224 · 1:05:13